Renda Fixa

CDB: o que é, como funciona e como escolher o melhor em 2026

Guia completo de CDB para iniciantes: rentabilidade, prazos, garantia do FGC, imposto de renda e como comparar com Tesouro Direto e poupança.

17 de junho de 202610 min de leitura

O CDB (Certificado de Depósito Bancário) é o investimento de renda fixa mais popular do Brasil — e por um bom motivo. Combina segurança da garantia do FGC, rentabilidade superior à poupança e simplicidade de aplicar pelo app do banco ou corretora. Este guia mostra como funciona, como comparar e como evitar as armadilhas mais comuns.

O que é um CDB

Quando você compra um CDB, está emprestando dinheiro a um banco. O banco usa esse dinheiro para emprestar a outras pessoas (crédito, financiamento, capital de giro) e, em troca, paga juros pré-acordados ao investidor. É o oposto de pegar um empréstimo: aqui o banco é o devedor e você, o credor.

Como qualquer empréstimo, três elementos definem um CDB:

  • Prazo — quanto tempo o dinheiro fica aplicado.
  • Rentabilidade — como os juros são calculados.
  • Liquidez — se você pode resgatar antes do vencimento.

Os três tipos de rentabilidade

Pós-fixado (o mais comum)

Rentabilidade atrelada a um indicador — quase sempre o CDI, que historicamente segue de perto a taxa Selic. Você vê CDBs assim:

  • 100% do CDI — rende o CDI cheio.
  • 110% do CDI — rende 10% a mais que o CDI.
  • 120% do CDI — rende 20% a mais.

Quanto maior o percentual, melhor, mas geralmente vem com prazo de carência maior ou banco menor (mais arriscado, porém ainda dentro do FGC).

Prefixado

A taxa é fixa, definida na hora da compra: "CDB prefixado a 12% a.a." Você sabe exatamente quanto vai receber no vencimento. Bom quando os juros estão altos e devem cair — você trava a taxa boa.

Híbrido (IPCA+)

Paga inflação + uma taxa fixa: "IPCA + 6% a.a." Protege o poder de compra contra inflação. Ideal para metas longas (5+ anos), como aposentadoria complementar.

A garantia do FGC

O Fundo Garantidor de Créditos cobre até R$ 250 mil por CPF, por instituição financeira, com teto global de R$ 1 milhão renovável a cada 4 anos. Isso muda o jogo:

  • Investir em CDB de banco grande ou médio dá quase o mesmo nível de segurança, desde que respeite os limites do FGC.
  • Bancos médios pagam mais (130% do CDI é comum) justamente porque precisam atrair investidores.
  • Para valores acima de R$ 250 mil, diversifique entre instituições para manter a cobertura total.

Liquidez: o ponto que mais confunde

  • Liquidez diária (D+0 ou D+1) — resgate quando quiser. Ideal para reserva de emergência. Rende menos (95% a 105% do CDI).
  • Sem liquidez (carência até o vencimento) — só recebe no fim do prazo. Rende mais (110% a 140% do CDI). Bom para metas com data definida.

Antes de comprar, sempre veja: "Tem liquidez?" Se não, prepare-se para o dinheiro ficar trancado.

Imposto de renda (regra essencial)

CDB paga IR sobre o rendimento, com tabela regressiva:

Prazo Alíquota
Até 180 dias 22,5%
181 a 360 dias 20%
361 a 720 dias 17,5%
Acima de 720 dias 15%

O imposto é descontado automaticamente no resgate. Por isso, CDBs de prazos curtos para reserva ainda fazem sentido, mas para metas longas vale segurar 2+ anos para cair na alíquota mínima.

CDB vs poupança vs Tesouro Selic

Aplicação Rendimento líquido (Selic 10,5%) Liquidez Risco
Poupança ~6,17% a.a. Diária (rende no aniversário) FGC
Tesouro Selic ~8,3% a.a. (após IR e custódia) D+1 Tesouro Nacional
CDB 100% CDI ~8,3% a.a. (após IR) D+0 ou D+1 FGC
CDB 120% CDI ~9,9% a.a. (após IR) Carência comum FGC

Poupança quase sempre é a pior escolha. Para reserva, Tesouro Selic ou CDB com liquidez diária ≥ 100% do CDI. Para médio prazo, CDB 110%+ ou Tesouro IPCA+.

Como comparar dois CDBs na prática

Use sempre o rendimento líquido anualizado — depois de IR e do prazo real de carência. Um CDB de 115% do CDI com 3 anos de carência rende mais que um de 105% com liquidez diária, mas o dinheiro fica preso.

Pergunta-chave: "Eu vou precisar desse dinheiro antes do vencimento?"

  • Se sim → liquidez diária, mesmo rendendo um pouco menos.
  • Se não → maior taxa, prazo maior, alíquota de IR menor.

Erros comuns

  • Ignorar o prazo de carência. Comprar CDB de 5 anos sem liquidez para a reserva de emergência é o erro #1.
  • Confundir CDI com Selic. São próximos mas diferentes. CDI costuma rodar 0,10 p.p. abaixo da Selic.
  • Concentrar acima de R$ 250 mil em uma única instituição. Você perde a proteção plena do FGC sobre o excesso.
  • Esquecer o IR no cálculo. Um CDB de 105% do CDI em 30 dias rende menos que um Tesouro Selic depois do IR mais alto.

Por onde começar

  1. Abra conta em uma corretora gratuita (XP, Rico, Nu Invest, BTG, Inter — todas zeram taxas).
  2. Defina o objetivo: reserva (liquidez diária), médio prazo (1 a 3 anos), longo prazo (5+ anos).
  3. Compare 3 CDBs do mesmo perfil de prazo e rentabilidade.
  4. Confirme: emissor sólido, dentro do FGC, prazo coerente com seu objetivo.
  5. Aplique e registre no controle de investimentos para acompanhar a rentabilidade real.

Renda fixa não enriquece ninguém da noite para o dia — mas é o alicerce de qualquer carteira. Sem ela, qualquer ação ou FII vira aposta. Com ela, você investe em variável com a cabeça tranquila.

Perguntas frequentes

CDB é seguro?

Sim. CDBs contam com a garantia do FGC (Fundo Garantidor de Créditos) de até R$ 250 mil por CPF por instituição financeira, limitado a R$ 1 milhão renovável a cada 4 anos. Em caso de quebra do banco, o FGC paga o investidor em até 7 dias úteis.

Qual o melhor CDB para começar?

Para a reserva de emergência, prefira CDBs com liquidez diária pagando ao menos 100% do CDI. Para metas de médio prazo (1 a 3 anos), CDBs prefixados ou pós-fixados a 110%+ do CDI de bancos médios costumam render mais — sempre dentro do limite do FGC.

CDB ou Tesouro Direto: qual rende mais?

Tesouro Selic rende próximo a 100% do CDI e tem liquidez D+1, ideal para reserva. CDBs de bancos médios pagam 110% a 130% do CDI e podem render mais, mas costumam ter prazo de carência. Compare sempre o rendimento líquido após Imposto de Renda.

Como o IR funciona no CDB?

A tabela é regressiva sobre o rendimento: 22,5% até 180 dias, 20% até 360 dias, 17,5% até 720 dias e 15% acima de 720 dias. O imposto é descontado automaticamente no resgate — você não precisa declarar mensalmente.

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