Renda Fixa

Tesouro Direto: o guia completo para 2026

Como investir no Tesouro Direto passo a passo: tipos de títulos, Tesouro Selic, IPCA+ e Prefixado, taxas, imposto de renda e melhores estratégias por objetivo.

17 de junho de 202612 min de leitura

O Tesouro Direto é o programa do governo que permite qualquer pessoa comprar títulos públicos pela internet, a partir de cerca de R$ 30. É a porta de entrada mais segura, transparente e barata do mercado brasileiro de renda fixa.

Como funciona

Quando você compra um título do Tesouro, está emprestando dinheiro ao governo federal. Em troca, recebe juros até a data de vencimento. O Tesouro Nacional é o emissor mais seguro do país — quem honra o pagamento é a União.

A custódia é feita pela B3 (taxa anual de 0,20% sobre saldos acima de R$ 10 mil — abaixo disso, isenta para Tesouro Selic). Corretoras como XP, Rico, Inter, Nu Invest e BTG não cobram taxa adicional para operar.

Os três tipos principais de título

1. Tesouro Selic (LFT)

  • Como rende: 100% da taxa Selic, atualizada todos os dias.
  • Para que serve: reserva de emergência e dinheiro de curto prazo.
  • Liquidez: D+1 (resgate cai no próximo dia útil).
  • Risco: praticamente zero — o preço quase não oscila.

É o substituto direto da poupança. Para Selic a 10,5% a.a., rende ~8,3% a.a. líquido após IR de 22,5% (em até 6 meses) ou ~8,9% após IR de 15% (acima de 2 anos). A poupança rende 6,17% no mesmo cenário.

2. Tesouro IPCA+ (NTN-B Principal e NTN-B com juros semestrais)

  • Como rende: IPCA (inflação oficial) + uma taxa fixa, por exemplo IPCA + 6% a.a.
  • Para que serve: metas de longo prazo (5+ anos), aposentadoria complementar.
  • Liquidez: existe, mas o preço oscila — segurar até o vencimento garante a taxa contratada.
  • Risco: marcação a mercado (perda se vender antes do vencimento com juros em alta).

É o único investimento que protege seu poder de compra, garantindo ganho real acima da inflação. NTN-B Principal paga tudo no vencimento. A versão com cupom semestral paga juros a cada 6 meses (boa para complementar renda).

3. Tesouro Prefixado (LTN e NTN-F)

  • Como rende: taxa fixa definida na compra, por exemplo 12% a.a.
  • Para que serve: travar a taxa quando os juros estão altos e devem cair.
  • Liquidez: existe, mas com forte marcação a mercado.
  • Risco: se inflação subir além do esperado, o ganho real diminui.

Bom para quem tem convicção sobre o cenário de juros e meta com data fixa.

Marcação a mercado: o que você precisa saber

O preço do título oscila conforme as expectativas de juros mudam. Se você vender antes do vencimento e os juros tiverem subido, pode receber menos do que aplicou (especialmente em IPCA+ e Prefixado de longo prazo). Se segurar até o vencimento, recebe exatamente a rentabilidade contratada.

Regra prática: só compre Prefixado e IPCA+ com dinheiro que você não vai precisar antes do vencimento.

Custos e impostos

  • Taxa de custódia B3: 0,20% a.a. sobre o saldo (isenta para Tesouro Selic até R$ 10 mil).
  • Taxa de corretagem: zero nas principais corretoras modernas.
  • Imposto de Renda: tabela regressiva sobre o rendimento — 22,5% (até 180 dias) caindo até 15% (acima de 720 dias). Cobrado no resgate ou vencimento.
  • IOF: só nos primeiros 30 dias.

Como escolher o título certo

Use o objetivo, não o "qual rende mais" do momento:

Objetivo Título recomendado
Reserva de emergência Tesouro Selic
Comprar carro em 2 anos Tesouro Selic ou Prefixado curto
Trocar de imóvel em 5 anos IPCA+ 2029
Aposentadoria em 20 anos IPCA+ 2045 com juros semestrais
Travar juro alto antes de queda Prefixado 2027 ou 2031

Passo a passo para começar

  1. Abra conta em uma corretora que zere taxa (Nu Invest, Rico, XP, Inter, BTG).
  2. Transfira dinheiro via Pix ou TED.
  3. Vá em Tesouro Direto no app da corretora.
  4. Escolha o título pelo objetivo, não pela taxa do dia.
  5. Confirme valor e prazo — preste atenção no vencimento.
  6. Aplique — o título aparece em até 24h no seu extrato.

Erros comuns

  • Comprar Prefixado de 10 anos para a reserva. Marcação a mercado pode te dar prejuízo se precisar resgatar.
  • Ignorar a taxa de custódia. Em valores acima de R$ 100 mil em Tesouro Selic, ela come cerca de 0,20% a.a. — compare com CDBs de bancos médios sem essa taxa.
  • Comparar bruto, não líquido. Tesouro Selic a 10% bruto rende ~8,5% líquido. Sempre faça a conta após IR.
  • Vender no susto. Quedas no IPCA+ são oportunidades, não motivo de pânico — se você não precisa do dinheiro, segura até o vencimento.

Tesouro Direto vs CDB

  • Segurança: empate (Tesouro = União, CDB = FGC até R$ 250 mil).
  • Rentabilidade: CDBs de bancos médios podem render mais (110% a 130% do CDI).
  • Liquidez: Tesouro Selic D+1, CDBs com liquidez diária D+0 ou D+1.
  • Diversificação: o ideal é ter os dois — Tesouro Selic como núcleo de reserva, CDBs como complemento de rentabilidade.

O Tesouro Direto é o chão sólido da sua carteira. Antes de pensar em ações ou FIIs, organize aqui a reserva de emergência e os objetivos de médio prazo. É chato? Talvez. Mas é o tipo de chatice que constrói patrimônio.

Perguntas frequentes

Tesouro Direto é seguro?

Sim. Os títulos são emitidos pelo Tesouro Nacional, o emissor mais seguro do país. Não há cobertura do FGC porque o garantidor é o próprio governo brasileiro — quem honra o pagamento é a União.

Qual o valor mínimo para investir?

Cerca de R$ 30 a R$ 40, dependendo do título e do preço unitário. Você compra frações de 0,01 (1%) de um título inteiro.

Tesouro Selic ou poupança para reserva de emergência?

Tesouro Selic, sem dúvida. Rende próximo a 100% do CDI (~8,3% a.a. após IR com Selic a 10,5%) contra 6,17% da poupança. Liquidez é D+1 (dinheiro cai no dia útil seguinte ao resgate).

Posso perder dinheiro no Tesouro Direto?

No Tesouro Selic, praticamente não — variações são mínimas. No IPCA+ e Prefixado, sim, se você vender antes do vencimento e os juros tiverem subido. Mantendo até o vencimento, recebe exatamente o combinado.

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