Tesouro Direto: o guia completo para 2026
Como investir no Tesouro Direto passo a passo: tipos de títulos, Tesouro Selic, IPCA+ e Prefixado, taxas, imposto de renda e melhores estratégias por objetivo.
O Tesouro Direto é o programa do governo que permite qualquer pessoa comprar títulos públicos pela internet, a partir de cerca de R$ 30. É a porta de entrada mais segura, transparente e barata do mercado brasileiro de renda fixa.
Como funciona
Quando você compra um título do Tesouro, está emprestando dinheiro ao governo federal. Em troca, recebe juros até a data de vencimento. O Tesouro Nacional é o emissor mais seguro do país — quem honra o pagamento é a União.
A custódia é feita pela B3 (taxa anual de 0,20% sobre saldos acima de R$ 10 mil — abaixo disso, isenta para Tesouro Selic). Corretoras como XP, Rico, Inter, Nu Invest e BTG não cobram taxa adicional para operar.
Os três tipos principais de título
1. Tesouro Selic (LFT)
- Como rende: 100% da taxa Selic, atualizada todos os dias.
- Para que serve: reserva de emergência e dinheiro de curto prazo.
- Liquidez: D+1 (resgate cai no próximo dia útil).
- Risco: praticamente zero — o preço quase não oscila.
É o substituto direto da poupança. Para Selic a 10,5% a.a., rende ~8,3% a.a. líquido após IR de 22,5% (em até 6 meses) ou ~8,9% após IR de 15% (acima de 2 anos). A poupança rende 6,17% no mesmo cenário.
2. Tesouro IPCA+ (NTN-B Principal e NTN-B com juros semestrais)
- Como rende: IPCA (inflação oficial) + uma taxa fixa, por exemplo IPCA + 6% a.a.
- Para que serve: metas de longo prazo (5+ anos), aposentadoria complementar.
- Liquidez: existe, mas o preço oscila — segurar até o vencimento garante a taxa contratada.
- Risco: marcação a mercado (perda se vender antes do vencimento com juros em alta).
É o único investimento que protege seu poder de compra, garantindo ganho real acima da inflação. NTN-B Principal paga tudo no vencimento. A versão com cupom semestral paga juros a cada 6 meses (boa para complementar renda).
3. Tesouro Prefixado (LTN e NTN-F)
- Como rende: taxa fixa definida na compra, por exemplo 12% a.a.
- Para que serve: travar a taxa quando os juros estão altos e devem cair.
- Liquidez: existe, mas com forte marcação a mercado.
- Risco: se inflação subir além do esperado, o ganho real diminui.
Bom para quem tem convicção sobre o cenário de juros e meta com data fixa.
Marcação a mercado: o que você precisa saber
O preço do título oscila conforme as expectativas de juros mudam. Se você vender antes do vencimento e os juros tiverem subido, pode receber menos do que aplicou (especialmente em IPCA+ e Prefixado de longo prazo). Se segurar até o vencimento, recebe exatamente a rentabilidade contratada.
Regra prática: só compre Prefixado e IPCA+ com dinheiro que você não vai precisar antes do vencimento.
Custos e impostos
- Taxa de custódia B3: 0,20% a.a. sobre o saldo (isenta para Tesouro Selic até R$ 10 mil).
- Taxa de corretagem: zero nas principais corretoras modernas.
- Imposto de Renda: tabela regressiva sobre o rendimento — 22,5% (até 180 dias) caindo até 15% (acima de 720 dias). Cobrado no resgate ou vencimento.
- IOF: só nos primeiros 30 dias.
Como escolher o título certo
Use o objetivo, não o "qual rende mais" do momento:
| Objetivo | Título recomendado |
|---|---|
| Reserva de emergência | Tesouro Selic |
| Comprar carro em 2 anos | Tesouro Selic ou Prefixado curto |
| Trocar de imóvel em 5 anos | IPCA+ 2029 |
| Aposentadoria em 20 anos | IPCA+ 2045 com juros semestrais |
| Travar juro alto antes de queda | Prefixado 2027 ou 2031 |
Passo a passo para começar
- Abra conta em uma corretora que zere taxa (Nu Invest, Rico, XP, Inter, BTG).
- Transfira dinheiro via Pix ou TED.
- Vá em Tesouro Direto no app da corretora.
- Escolha o título pelo objetivo, não pela taxa do dia.
- Confirme valor e prazo — preste atenção no vencimento.
- Aplique — o título aparece em até 24h no seu extrato.
Erros comuns
- Comprar Prefixado de 10 anos para a reserva. Marcação a mercado pode te dar prejuízo se precisar resgatar.
- Ignorar a taxa de custódia. Em valores acima de R$ 100 mil em Tesouro Selic, ela come cerca de 0,20% a.a. — compare com CDBs de bancos médios sem essa taxa.
- Comparar bruto, não líquido. Tesouro Selic a 10% bruto rende ~8,5% líquido. Sempre faça a conta após IR.
- Vender no susto. Quedas no IPCA+ são oportunidades, não motivo de pânico — se você não precisa do dinheiro, segura até o vencimento.
Tesouro Direto vs CDB
- Segurança: empate (Tesouro = União, CDB = FGC até R$ 250 mil).
- Rentabilidade: CDBs de bancos médios podem render mais (110% a 130% do CDI).
- Liquidez: Tesouro Selic D+1, CDBs com liquidez diária D+0 ou D+1.
- Diversificação: o ideal é ter os dois — Tesouro Selic como núcleo de reserva, CDBs como complemento de rentabilidade.
O Tesouro Direto é o chão sólido da sua carteira. Antes de pensar em ações ou FIIs, organize aqui a reserva de emergência e os objetivos de médio prazo. É chato? Talvez. Mas é o tipo de chatice que constrói patrimônio.
Perguntas frequentes
Tesouro Direto é seguro?
Sim. Os títulos são emitidos pelo Tesouro Nacional, o emissor mais seguro do país. Não há cobertura do FGC porque o garantidor é o próprio governo brasileiro — quem honra o pagamento é a União.
Qual o valor mínimo para investir?
Cerca de R$ 30 a R$ 40, dependendo do título e do preço unitário. Você compra frações de 0,01 (1%) de um título inteiro.
Tesouro Selic ou poupança para reserva de emergência?
Tesouro Selic, sem dúvida. Rende próximo a 100% do CDI (~8,3% a.a. após IR com Selic a 10,5%) contra 6,17% da poupança. Liquidez é D+1 (dinheiro cai no dia útil seguinte ao resgate).
Posso perder dinheiro no Tesouro Direto?
No Tesouro Selic, praticamente não — variações são mínimas. No IPCA+ e Prefixado, sim, se você vender antes do vencimento e os juros tiverem subido. Mantendo até o vencimento, recebe exatamente o combinado.
